Vacinação contra o HPV

O Vírus

O papilomavírus humano (HPV) é um vírus de pele e mucosas que pode ser adquirido pelo contato direto com os tecidos infectados. A infecção pelo vírus é caracterizada como uma doença sexualmente transmissível (DST), já que durante a relação sexual desprotegida há contato direto entre as mucosas genitais. Acredita-se que pelo menos metade da população sexualmente ativa vai entrar em contato com o HPV em algum momento da vida.

Estima-se que há aproximadamente 30 milhões de homens e mulheres em todo o mundo com verrugas genitais ocasionadas pelo vírus, 10 milhões de mulheres com lesões intraepiteliais de alto grau no colo uterino (lesão precursora de câncer) e 500 mil casos de câncer do colo uterino. Além disso, nos homens, o HPV está associado também ao câncer de ânus, orofaringe e pênis.

Há mais de 100 subtipos de HPV, alguns deles não causam doença alguma, enquanto outros podem causar verrugas genitais e lesões que podem evoluir para câncer de colo uterino.

O INCA (Instituto Nacional do Câncer) relata 18.000 casos novos de câncer do colo uterino no Brasil anualmente. Cerca de 4.000 mulheres morrem pela doença.

Os subtipos do vírus podem ser divididos em ALTO RISCO e BAIXO RISCO, de acordo com sua associação com lesões precursoras do câncer de colo de útero.

Os subtipos 6 e 11, considerados de BAIXO RISCO, são responsáveis por 90% das verrugas genitais, enquanto os subtipos 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 e 59 são considerados de ALTO RISCO. Os subtipos 16 e 18 isoladamente são responsáveis por aproximadamente 70% das neoplasias de colo do útero em todo o mundo.

A Vacina

A vacina contra o HPV foi criada para prevenir a infecção por HPV e, assim, diminuir o número de pacientes com câncer de colo de útero.

A vacinação é uma ação preventiva que objetiva proteger as mulheres contra os subtipos de HPV de ALTO RISCO. A vacina é desenvolvida em laboratório, com a síntese de uma cápsula protéica semelhante à cápsula do vírus, mas nela não há DNA viral, parte que permite a replicação do agente e que pode causar a doença. E por isso pode ser administrada para pacientes imunossuprimidos.

Com a administração da vacina, o organismo vai produzir anticorpos específicos para cápsula do HPV, e ao haver contato com o vírus, os anticorpos conseguem inativá-lo, impedindo a sua instalação e multiplicação, e, portanto, impedindo a doença.

Existem duas vacinas comercializadas no Brasil, a vacina bivalente e a quadrivalente, recomendadas para meninas entre 11 e 12 anos, idealmente antes da primeira relação sexual.

Por ser uma vacina nova, que começou a ser comercializada no mundo há dois anos, acredita-se que a vacina confere cinco anos de proteção e ainda não há definição se são necessárias doses de reforço.

Estudos mostram, ainda, que existe proteção cruzada, ou seja, a vacina protege contra outros subtipos de HPV que não estão presentes na vacina.

Pode ser administrada em pacientes expostas ou com lesões decorrentes do HPV para proteção contra outros subtipos, lembrando que a vacina não vai proteger contra o HPV que a pessoa está infectada.

Não é necessário nenhum exame antes de ser vacinado, porém nada impede que antes da vacinação sejam realizados exames como a peniscopia, colposcopia e Papanicolaou para definir se há ou não algum tipo de infecção pelo HPV.

A vacina contra o HPV não substitui a necessidade de exames ginecológicos preventivos, como o Papanicolaou, nem o uso de preservativo durante a relação sexual para prevenção contra as DST e a gravidez indesejada.

Fontes: INCA e Ministério da Saúde


# IMPORTANTE: Consulte sempre o seu ginecologista

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